Christian Horner mostrou disponibilidade para vender os carros da Red Bull às equipas mais pequenas no final do ano, afirmando que uma abordagem semelhante à do MotoGP seria mais eficaz do que a simples fixação de um valor mais baixo paro o teto orçamental.
Um dos debates que tem marcado a atualidade da Fórmula 1 foi esta quinta-feira abordado pelo diretor da Red Bull, que aproveitou para reforçar o apoio à criação de uma medida temporária que permitisse que as equipas mais pequenas pudessem adquirir carros do ano anterior.
De acordo com o britânico, essa medida ajudaria as equipas mais pequenas a reduzir os custos de pesquisa e desenvolvimento, dando consequentemente tempo para que estas se reagrupassem e voltassem a assumir o estatuto de construtor.
“O dinheiro é um tema quente entre as equipas neste momento”, disse Horner. “O problema é que estamos tão preocupados com o valor do limite orçamental que acabamos por ignorar o mais importante.”
“As equipas de Fórmula 1 gastam sempre o orçamento que tiverem disponível. E mais 10%. É impossível comparar os gastos da Ferrari com os da Haas, os da Mercedes com os da Racing Point ou mesmo os da Red Bull com os da AlphaTauri. São estruturas e modelos de negócio completamente diferentes.”
“Acredito que a solução deveria passar por analisar o que faz com que esses custos aumentem, que é o custo de construir e desenvolver carros na esperança de ser competitivo.”
“Apoio totalmente a necessidade de reduzir custos e garantir que todas as 10 equipas permaneçam no desporto, mas há muitas formas de atingir esse objetivo e não se trata apenas de reduzir o limite orçamental. Se o principal objetivo de um limite orçamental for ser competitivo e ajudar as equipas mais pequenas, especialmente durante esta crise, estaria totalmente aberto a vender os nossos carros no final da temporada em Abu Dhabi.”
“Há quem diga que os carros cliente são contra o ADN da Fórmula 1, mas os tempos mudaram e precisamos de encontrar a melhor forma de tornar as equipas pequenas mais competitivas e fazer com que sobrevivam a esta crise. Essa abordagem funciona bem no MotoGP e até pode atrair mais equipas para a grelha, o que todos gostaríamos.”
“As equipas gastam fortunas no inverno a copiar as outras, porque não simplesmente dar-lhes a oportunidade de comprar o carro do ano passado? Faria muito mais sentido. À medida que se tornam mais competitivas e o seu modelo de negócios evolui, as equipas mais pequenas podem aumentar as receitas e procurar voltar a construir os seus próprios carros.”
“Acredito mesmo que a solução do carro cliente pode ajudar a curto prazo e deve ser seriamente considerada. É certo que tem havido algum oportunismo por parte de algumas equipas durante esta crise, mas acredito que precisamos de analisar todas as opções. Devíamos estar menos obcecados com o limite orçamental e mais focados em tornar o desporto competitivo.”






