Lewis Hamilton considera que a abordagem “kamikaze” de Charles Leclerc nas disputas com os colegas de equipa tem prejudicado a Ferrari ao longo das últimas temporadas.
O heptacampeão do mundo já tinha referido nas entrevistas após a corrida que a Ferrari precisava de ter conversas “sérias” nos bastidores para evitar a repetição do incidente da primeira volta do Grande Prémio da Cidade do México.
Hamilton reforçou essa ideia na conferência de imprensa, sublinhando que a postura de Leclerc nas disputas com os colegas de equipa não é uma novidade.
“Antes de me juntar a esta equipa, quando estava na Mercedes, assisti a várias corridas em que o Charles e o Carlos disputavam posições constantemente”, disse Hamilton. “Envolviam-se tanto nas lutas entre eles que o piloto que seguia à frente acabava por se afastar, apesar de terem ritmo para vencer
“Mas uma coisa é isso acontecer quando estão em quarto e quinto, outra bem diferente é quando estão em primeiro e segundo e acabam por perder a vitória. Isso tem um peso significativo.”
“Ele tem 28 anos, por isso não me parece que seja uma questão de idade. Penso que é uma questão de mentalidade. É como se fosse: “É tudo ou nada. Ou ganho eu ou não ganha nenhum de nós”. E não deveria ser assim. Deveríamos trabalhar em conjunto para garantir o primeiro e o segundo lugares para a equipa.”
“Em Silverstone, podia ter feito uma manobra completamente kamikaze contra ele, tê-lo tirado de pista e feito com que perdêssemos a vitória, mas, em vez disso, terminámos em primeiro e terceiro. Fico satisfeito por a equipa ter passado por essa experiência.”
“Mas espero que, no futuro, consigamos trabalhar para melhorar o ambiente e a forma como trabalhamos em conjunto.”
Leclerc, por sua vez, reconheceu que mereceu a penalização de cinco segundos por ter saído de pista, mas defendeu a sua abordagem durante a disputa com Hamilton nas primeiras curvas.
“Nas Curvas 1 e 2, surgiu um espaço e, quando estamos a lutar pela vitória, vou sempre tentar aproveitar essas oportunidades”, afirmou o monegasco.
“Nas Curvas 4 e 5, travei o mais tarde que me foi possível. Suponho que o Lewis tenha feito o mesmo e acabámos por não conseguir fazer a curva os dois.”
“Depois, na minha cabeça, a questão era devolver a posição, mas o Lewis acabou por ser ultrapassado pelo Max e pensei que valia a pena tentar perceber o que poderia acontecer, porque era uma situação muito confusa.”
“Perguntei pelo rádio, mas mantive a minha posição. Tenho a certeza de que o Lewis não gostou nada daquelas primeiras voltas e iremos conversar sobre isso.”






