Alain Prost afirmou estar “triste e angustiado” com o estado atual da Alpine e criticou a “incompetência” do ex-diretor executivo Laurent Rossi.
Esta sexta-feira, cerca de uma semana após a despromoção de Rossi do cargo de diretor executivo da Alpine, a formação de Enstone anunciou que o diretor de equipa Otmar Szafnauer e o diretor desportivo Alan Permane estariam de saída no final do mês de Julho.
Prost, que desempenhou as funções de conselheiro e diretor não-executivo da equipa entre 2015 e 2021, lamentou a influência corporativa na gestão do projeto da Alpine na Fórmula 1.
“Adoro esta equipa e estou triste e angustiado por ver no estado em que se encontra”, disse Prost. “Merece melhor e tem tudo para ser bem sucedida.”
“Acredito simplesmente que precisas de confiar na história para entender o que correu mal. Se olharmos para as grandes histórias de sucesso dos últimos 30 anos, vemos uma estrutura simples, construída em torno de três ou quatro personalidades fortes, juntamente com um piloto vencedor.”
“A Ferrari trabalhou com Jean Todt, apoiando-se em Ross Brawn e Michael Schumacher; a Mercedes teve sucesso com Toto Wolff, apoiado por Niki Lauda e James Allison, com Lewis Hamilton a liderar.”
“A Red Bull, mesmo que não seja apoiada por um grande construtor, faz o mesmo. Christian Horner e Adrian Newey gerem os seus pilotos, Sebastian Vettel e agora Max Verstappen.”
“E nestes três casos, houve um presidente forte que esteve completamente envolvido na Fórmula 1 para apoiar a ação tomada: Luca di Montezemolo, Dieter Zetsche e Dietrich Mateschitz.”
“A decisão da Red Bull de não estabelecer uma parceria com a Porsche resulta, de facto, desta recusa em ceder a essas decisões da direção, de pessoas que não conhecem a Fórmula 1.”
Prost considera que Laurent Rossi é “o melhor exemplo” do efeito Dunning-Kruger, fenómeno que ocorre quando pessoas com baixa capacidade numa determinada área subestimam a sua competência.
“Nos meus anos na Renault, ouvi muitas vezes nos corredores que a Fórmula 1 era um desporto simples que podia ser gerido a partir de casa”, acrescentou. “Isso foi um enorme erro, como ficou provado com o último dos diretores, Laurent Rossi.”
“O Laurent Rossi é o melhor exemplo do efeito Dunning-Kruger. É um gestor incompetente que pensa que pode ultrapassar a sua competência com a sua arrogância e a sua falta de humanidade para com os seus colaboradores.”
“Foi chefe da Alpine durante 18 meses e pensou que compreendia tudo desde o início, mas isso não podia estar mais longe da verdade. A sua gestão interrompeu a dinâmica que a equipa tinha construído desde 2016, alcançando pódios e aquela vitória.”






