Flavio Briatore e Oliver Oakes deram uma entrevista conjunta onde criticaram a gestão errática dos antigos líderes da Alpine e abordaram o plano para reerguer a equipa. O novo diretor de equipa optou por não fazer quaisquer promessas em termos de prazos, pedindo que o seu trabalho seja julgado daqui a uns anos.
O construtor francês continua a reestruturar-se com o intuito de ultrapassar a difícil situação em que se encontra ao nível da competitividade.
“Não havia gestão”, disse Briatore quando lhe foi pedida uma explicação para a regressão da Alpine.
“Acredito que o problema da Alpine era esse. A certa altura, acredito que eles escolheram alguns gerentes errados. Acho que a lista dos errados era bastante longa. Não temos uma lista dos bons.”
“E é difícil gerir Enstone. Enstone é uma grande equipa, um grande monstro. É preciso estar lá. É muito difícil gerir uma equipa como a Alpine a partir de Paris ou de outro local. É preciso ter presença, presença diária.”
“Precisamos do choque elétrico. Mas estamos a fazer isso, prometo-vos. Talvez nos sentemos aqui juntos daqui a um ano e a situação já esteja melhor.”
“Mas sejam realistas. Vai levar tempo. 2027 é o nosso objetivo para sermos competitivos, para termos alguns pódios, para estarmos lá.”
Esta semana, os colaboradores da fábrica de motores de Viry lançaram um comunicado onde se opunham aos planos da Alpine para abandonar as unidades motrizes da Renault em 2026.
Briatore esclareceu que essa foi uma decisão tomada antes da sua chegada à equipa.
“As coisas com o motor já foram decididas pela direção da Renault e por mim está tudo bem”, acrescentou. “O nosso presidente decidiu que estava tudo bem. Isto já tinha sido decidido antes de eu chegar à equipa.”
“Não sou o mau da fita o tempo todo! Podem culpar-me por tudo o resto, mas não por este caso.”
Oakes, nomeado diretor de equipa durante a pausa de verão, mostrou-se motivado para o desafio de colocar a Alpine de novo nas posições cimeiras da Fórmula 1, explicando que de agora em diante pretende mostrar o seu valor ao invés de efetuar “longos e penosos” discursos.
“Penso que, em primeiro lugar, Enstone tem algo que o dinheiro não pode comprar: tem um espírito de corrida, tem uma história”, afirmou Oakes.
“Isso dá-te uma paixão enorme para colocar o lugar onde ele deve estar.”
“Atrevo-me a dizer que tem sido mal gerido durante alguns anos e penso que é fácil apontar as culpas. Já falámos muito no passado. É um pouco frustrante, não é o meu estilo.”
“Hoje em dia, a Fórmula 1 deixa-me um pouco louco. Toda a gente faz longos discursos, falando de um projeto com o número X de corridas. Torna-se um pouco penoso continuar a ler isso no final do dia.”
“Mas acho que, genuinamente, temos de voltar a concentrar-nos nas corridas. E penso que as pessoas que lá estão são fantásticas. Não é culpa das pessoas, é culpa da liderança anterior.”
“Acho que estou numa posição de sorte. É uma equipa fantástica. Há muitas coisas a fazer, mas na verdade é muito simples: precisamos de um carro melhor e precisamos de pôr toda a gente a trabalhar em conjunto.”
“Na Fórmula 1, estou sempre a rir-me: o que é o curto prazo, o que é o longo prazo e o que é o médio prazo? Toda a gente tem uma opinião diferente.”
“A minha é: estamos nesta situação há dois ou três anos. No início deste ano, já se viram os resultados. Penso que fizeram um bom trabalho para tentar reagrupar-se até agora e aumentar o desempenho do carro.”
“Não estamos onde queremos estar e vamos continuar com isso. Não há longos discursos ou promessas sobre isso. Vocês podem julgar-me daqui a uns anos.”






