Lewis Hamilton diz estar a trabalhar para evitar que o seu percurso na Ferrari termine sem qualquer título conquistado, como aconteceu no passado com Sebastian Vettel e Fernando Alonso.
O heptacampeão do mundo, que ingressou este ano na Ferrari, venceu uma corrida sprint no início da temporada, mas ainda não conquistou qualquer pódio com a formação de Maranello.
Esta quinta-feira, em Spa-Francorchamps, Hamilton revelou que aproveitou as últimas semanas para analisar a primeira metade da temporada e elaborar documentos com propostas de melhoria à equipa.
“Estive na fábrica, duas semanas, alguns dias por semana e, naturalmente, analisámos a situação da corrida anterior, as coisas que precisávamos de mudar”, disse Hamilton.
“Tive muitas reuniões, por isso pedi muitas reuniões com os chefes de equipa. Sentei-me com o John [Elkan, presidente da Ferrari], o Benedetto [Vigna, CEO da Ferrari] e o Fred [Vasseur, diretor de equipa] em várias reuniões.”
“Sentei-me com o chefe do desenvolvimento do nosso carro, o Loic [Serra], mas também com os chefes dos diferentes departamentos, para falar sobre o motor para o próximo ano, sobre a suspensão dianteira para o próximo ano, sobre a suspensão traseira para o próximo ano, sobre as coisas que querem, os problemas que têm e que eu tenho com este carro.”
“Enviei documentos e é isso que tenho feito longo do ano. Após as primeiras corridas, fiz um documento completo para a equipa. Depois, durante esta pausa, enviei mais dois documentos.”
“Por isso, quero abordar essas questões, alguns dos ajustes estruturais que temos de fazer enquanto equipa para melhorarmos em todas as áreas que queremos melhorar, e o outro documento era mesmo sobre o carro.”
“Os problemas atuais que tenho com este carro, algumas coisas que queremos levar para o carro do próximo ano e outras que precisamos de trabalhar para mudar para o próximo ano.”
“Fizemos desenvolvimento. Experimentámos o carro de 2026 pela primeira vez e começámos a trabalhar nele. E 30 engenheiros vêm para a sala, e sentamo-nos e conversamos com cada um deles, por isso, grande, grande esforço.”
Questionado sobre a razão pela qual decidiu elaborar esses documentos, Hamilton respondeu: “Porque vejo um enorme potencial nesta equipa.”
“A paixão, nada chega perto disso. É uma organização enorme, com muitas peças em movimento, e nem todas estão a funcionar como deveriam.”
“É por isso que a equipa não tem tido o sucesso que eu penso que merece. Por isso, sinto que o meu trabalho é desafiar absolutamente todas as áreas, desafiar toda a gente na equipa, especialmente os tipos que estão no topo e que tomam as decisões.”
“Se olharmos para a equipa nos últimos 20 anos, tiveram pilotos fantásticos. Tivemos o Kimi, o Fernando, o Sebastian, todos campeões do mundo, mas não ganharam um título [com a Ferrari, à exceção de Raikkonen]. E recuso que isso aconteça comigo. Por isso, estou a ir mais longe.”
“Obviamente, tive muita sorte em ter tido experiências em duas outras grandes equipas. E embora as coisas sejam certamente diferentes, porque há uma cultura diferente e tudo o mais, penso que, por vezes, se seguirmos sempre o mesmo caminho, obtemos os mesmos resultados. Por isso, estou apenas a desafiar certas coisas.”
“Eles têm sido incrivelmente recetivos. Temos vindo a melhorar em muitas áreas, através do marketing, através de tudo o que estamos continuamente a oferecer aos patrocinadores. A forma como os engenheiros continuam a trabalhar, há muito trabalho e melhorias a fazer, mas são muito reativos”
“Acho que, em última análise, estamos apenas a tentar criar aliados dentro da organização e a prepará-los, a pressioná-los para que digam “estou aqui para ganhar”, e eu não tenho tanto tempo como este aqui (apontando para Kimi Antonelli), por isso é como se fosse a hora da verdade.”
“Acredito verdadeiramente no potencial desta equipa. Acredito mesmo, mesmo muito, que podem ganhar vários campeonatos do mundo daqui para a frente, já têm um legado fantástico, mas durante o meu tempo, esse é o meu único objetivo.”






