Os adversários da Mercedes ponderam unir esforços para apresentar uma proposta de alteração dos regulamentos relativos à taxa de compressão dos motores a tempo do início da temporada.
Nas últimas semanas, os bastidores da Fórmula 1 têm sido marcados por uma crescente controvérsia em torno da possibilidade de a Mercedes ter identificado uma lacuna regulamentar que lhe permita operar o motor com um rácio de compressão superior ao limite de 16:1 estipulado nas regras.
Embora os regulamentos atuais especifiquem que as verificações de conformidade da taxa de compressão são realizadas à temperatura ambiente, suspeita-se que a Mercedes tenha encontrado uma forma de operar com um rácio mais elevado quando os motores estão quentes.
Os rivais da Mercedes têm estado em contacto ao longo das últimas semanas com vista à definição de uma proposta conjunta que introduza um novo procedimento de verificação, baseado na medição da taxa de compressão com os motores quentes.
De acordo com o The Race, realizaram-se recentemente duas reuniões adicionais com a FIA para debater o tema: uma que envolveu especialistas técnicos e outra o Comité Consultivo das Unidades Motrizes (PUAC).
Segundo a mesma fonte, o objetivo dos adversários da Mercedes é alcançar um consenso sobre um novo procedimento que permita medir a taxa de compressão com os motores em funcionamento e à temperatura de operação.
Essa proposta seria posteriormente apresentada ao Comité Consultivo das Unidades Motrizes com o objetivo de obter uma aprovação a tempo do Grande Prémio da Austrália.
Entre as soluções em análise estão a utilização de sensores com os carros em pista ou a realização das medições nas boxes, quando os motores se encontram à temperatura de funcionamento.
Outro desenvolvimento relevante neste processo prende-se com a possibilidade de a Red Bull se juntar ao grupo inicialmente mais vocal sobre o tema, composto por Ferrari, Audi e Honda.
De início, considerava-se que a Red Bull tinha interpretado os regulamentos da mesma forma da Mercedes. No entanto, a eventual incapacidade de extrair os ganhos esperados poderá estar a levar a equipa a alinhar-se com a iniciativa dos restantes fabricantes.
Ainda assim, mesmo que os rivais cheguem a acordo quanto a um plano, qualquer possibilidade de uma alteração regulamentar ser aprovada dependerá do apoio da FIA e da FOM – sendo que os indícios apontam para que a FIA esteja alinhada com a interpretação da Mercedes.
Há alguns dias, quando questionado sobre o risco de um dos rivais da Mercedes apresentar um protesto na Austrália, o diretor de equipa Toto Wolff afirmou: “A unidade motriz é legal.”
“A unidade motriz cumpre aquilo que está escrito nos regulamentos e cumpre a forma como as verificações são realizadas.”
“A unidade motriz está de acordo com a forma como estas medições são feitas em qualquer outro carro. Tudo o resto [a possibilidade de um protesto] não posso avaliar.”
“É assim que vemos a situação neste momento e é isso que a FIA disse. É isso que o presidente da FIA disse, e ele sabe um pouco sobre este assunto. Nesse sentido, vamos esperar para ver. Mas sentimo-nos seguros.”






